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Restaurantes em SP tentam superar pandemia após 30 mil vagas extintas

Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (SinHoRes) estima que 30 mil postos de emprego foram extintos no setor gastronômico no litoral e interior paulista durante a quarentena. Restaurantes não podem receber clientes e atendimento é ...


Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (SinHoRes) estima que 30 mil postos de emprego foram extintos no setor gastronômico no litoral e interior paulista durante a quarentena. Restaurantes não podem receber clientes e atendimento é exclusivo por delivery na Baixada Santista Arquivo Pessoal Os restaurantes e bares das regiões da Baixada Santista e do Vale do Ribeira, em São Paulo, empregam mais de 150 mil trabalhadores. Com a pandemia da Covid-19, o cenário causado pelo isolamento social, redução da carga horária e salarial de funcionários e a exclusividade do delivery, muitos proprietários não estão aguentando e vêm fechando as portas. O Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (SinHoRes) estima que 20% destes postos de emprego foram extintos. O cenário se transformou rápido. Em 19 de março, os prefeitos das nove cidades da Baixada Santista anunciaram as primeiras medidas restritivas para o comércio local. Entre elas, estava a recomendação para que os restaurantes, bares, lanchonetes e similares atuassem com redução de 30% de cadeiras e mesas, para evitar aglomerações. Ali, começava também o incentivo ao comércio delivery. Poucos dias depois, em 21 de março, os prefeitos se reuniram novamente e decretaram estado de calamidade pública para a Baixada Santista. Com isso, comércios, bares e restaurantes não poderiam abrir as portas até segunda ordem. Com exceção de mercados e padarias, o delivery se tornou a única opção de vendas. Mesmo assim, muitos estabelecimentos correm o risco de não sobreviver até quando a reabertura for liberada. Esse foi o caso do restaurante japonês NagasakiYa, que ficava no bairro Gonzaga, em Santos, até o início de maio. Os proprietários fecharam as portas após mais de 40 anos de funcionamento, por conta da baixa na renda, adotando apenas entregas por delivery, preparadas de casa. Procurados pelo G1, eles preferiram não se manifestar por estarem vivendo um momento difícil. Outro restaurante que fechou as portas foi o Gold Sushi, com sede no mesmo bairro. Os proprietários optaram por suspender as atividades por tempo indeterminado, assim que as primeiras medidas de restrição foram divulgadas. Após dois meses fora do mercado, eles pretendem voltar à ativa, exclusivamente por delivery. "Achamos melhor fechar e esperar, reduzindo custos", conta um dos proprietários do Gold Sushi, Renan Rocha. "Agora, vamos reabrir, porque todos estão se adaptando, até o cliente que não comia por delivery está pedindo comida em casa". Ele conta que o restaurante foi inaugurado em outubro de 2019 e que, por conta da inexperiência, tomou a decisão de suspender os serviços e dispensou todos os funcionários. "Não existia o costume de comer comida japonesa em casa. Não sabíamos como seria e não poderíamos atuar enquanto todo mundo se acostumava a esse momento. Foi a melhor decisão que poderíamos ter tomado nessas circunstâncias", avalia. Mesmo assim, ele conta que usou o tempo de suspensão de atividades para observar as mudanças e a reação do público às novidades. "Ficamos fechados, mas estávamos estudando o mercado. Usamos esse tempo para traçar estratégias para agradar os clientes com o nosso diferencial", afirma. O sindicato da categoria afirma ter procurado o Sindicato dos Trabalhadores em Comércio Hoteleiro e Similares (Sinthoress) na tentativa de minimizar as demissões de profissionais, neste momento tão delicado que os empresários do setor hoteleiro e gastronômico estão enfrentando. Segundo o sindicato, a principal preocupação sempre foi manter o maior número de postos de trabalho possível. Assim, grande parte das empresas aderiu à MP do Emprego, que permite a suspensão de contratos temporários e foi adotado pelos restaurantes que estão trabalhando no sistema de delivery. De portas fechadas, restaurantes tentam se manter com delivery Arquivo Pessoal/Oscar Martins Funcionários realocados O comerciante Oscar Martins, um dos proprietários da Pizzaria Van Gogh, no bairro José Menino, em Santos, contou ao G1 que, apesar de o faturamento geral ter caído, o estabelecimento investiu em tecnologia e realocou os funcionários para outras funções para acompanhar as mudanças impostas pela pandemia. "Estamos garantindo os empregos de todo mundo, segurando a onda nas despesas e investindo em aplicativos e novas formas de pagamento para delivery", conta. "Apesar de não suprir o faturamento que tínhamos no salão, nós conseguimos aumentar as vendas à domicílio". Além das despesas fixas altas, com funcionários em casa, aluguéis altos e de portas fechadas para o público, o proprietário afirma que a concorrência também aumentou. "Muitos que não faziam delivery estão tendo que fazer", diz. "Agora, na pandemia, todos estão fazendo o seu melhor e dando descontos para sobreviver". Pós-pandemia O setor avalia que o cenário não é favorável a boas expectativas para o fim da pandemia e prevê uma retomada lenta, mas aposta em novos protocolos sanitários para garantir uma reabertura segura e convencer os clientes a voltarem a frequentar bares e restaurantes A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) lançou uma cartilha com orientações para a futura reabertura, incluindo a redução da capacidade de público e separação mínima de um metro entre as cadeiras ou dois metros entre as mesas. Além disso, a Abrasel também sugere o uso de cardápio plastificado, que possa ser higienizado após o uso, e instalação de barreira de acrílico no caixa e a orientação aos clientes sobre a importância de evitar o compartilhamento de talheres, copos e outros objetos à mesa, como o telefone celular. Gabriel Pinheiro, sócio da Pizzaria Villa Roma, em São Paulo, que decidiu adaptar o serviço para uma futura reabertura com novos protocolos sanitários Divulgação Initial plugin text

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